terça-feira, 1 de novembro de 2016

Universo Disney em luto: faleceu Renato Canini.

Aos 77 anos, morre Renato Canini, ilustrador que abrasileirou o Zé Carioca

Artista estava em sua casa em Pelotas e sofreu um mal súbito devido a problema cardíaco

O cartunista Canini com um desenho em que uniu os personagens Zé Carioca e o Índio TibicaAos 77 anos, morre Renato Canini, ilustrador que abrasileirou o Zé Carioca Nauro Júnior/Agencia RBS
Foto: Nauro Júnior / Agencia RBS
Gigante nacional do quadrinho e referência para muitos ilustradores da atualidade, Renato Canini morreu na noite desta quarta-feira, em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. O artista tinha 77 anos e sofreu um mal súbito, decorrente de problema cardíaco.
O quadrinista, ilustrador e cartunista se tornou célebre por nacionalizar Zé Carioca, o papagaio da Disney, em publicações da Editora Abril.
– Ele criou um Zé Carioca de mangas curtas. Antes, era artificial, criado nos EUA, tinha paletó e guarda-chuva. Criou um cenário bem mais brasileiro – explica o cartunista Santiago. 


Nascido em Paraí, em 1936, Canini cresceu em Barril (hoje Frederico Westphalen). Aos 10 anos, foi morar em Garibaldi, onde divertia-se rabiscando nas calçadas da cidade, e lá descobriu o cinema e gibis como O Guri, Lobinho, Vida Infantil... Sua trajetória profissional começou em 1957, na revista Cacique, editada em Porto Alegre. Como ilustrador, colaborou com charges para Correio do Povo, Pasquim, Mad e outras publicações. Trabalhou na revista Recreio, da Editora Abril.

– Como artista, é um pioneiro da simplicidade. Já nos anos 60, nos colocou em pé de igualdade com os europeus – analisa o jornalista e humorista Fraga – Ele tinha um humor muito sutil, e um grande poder de síntese – acrescenta.
– Todos os desenhistas veneram ele pela grande simplicidade que ele conseguiu no traço. Em meia duzia de traços ele resolvia tudo – comenta Santiago.
Nos anos 1970, assumiu a revista de Zé Carioca, na fase considerada seminal para a transformação do papagaio em um personagem genuinamente brasileiro. Canini fazia questão de situar cenas em favelas brasileiras, o que desagradava os editores americanos.
– É uma ironia, porque fui dispensado pelos americanos depois de desenhar o Zé Carioca durante seis anos, de 1971 a 1977. Eles eram contra eu botar muita favela. Não entendem o Terceiro Mundo. Também não gostavam dos coadjuvantes que eu inventava, uns negrinhos – recordou Canini, em entrevista a ZH em 2005.
Criou também Kactus Kid, sátira aos caubóis do faroeste, e um personagem cabra da peste, o cangaceiro Zé Candango. Dois personagens de Canini sintetizam a alternância entre os públicos com quem o desenhista dialogava: o indiozinho Tibica, nascido em 1978, falava às crianças sobre temas como ecologia, enquanto o Dr. Fraud, surgido na revista Patota, fazia graça aos adultos analisando personagens dos quadrinhos, do cinema, da política e da vida brasileira.
– Era um cara original, influenciou milhares de pessoas. Compararia somente ao Saul Steinberg. Só posso chamar esses dois de originais – argumenta o desenhista e roteirista Lancast. 


Na década passada, Canini foi homenageado pela Editora Abril com um livro compilando várias de suas histórias para Zé Carioca.

Seu último livro foi Pago Pra Ver, uma reunião de cartuns, desenhos e ilustrações com temática campeira lançada no ano passado. No texto que acompanha a publicação, o escritor Luis Fernando Verissimo diz que há duas espécies de cartunistas: "o Canini e os outros".
Sem filhos, Canini deixa a mulher, Maria de Lourdes. O sepultamento está marcado para as 16h desta quinta-feira no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas.
Via ZH
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