quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Falando em Quadrinhos digitais, redes sociais e essas coisas: o futuro é AGORA?

Por Judão 

Marvel e DC não vendem revistas. Na real, tenho dúvidas se elas vendem histórias em quadrinhos. Diria que elas vendem pílulas de entretenimento de baixo custo, gráficas e seriadas, não importando aí em qual mídia ela é veiculada. Simples assim.
Sendo assim, ficar preso ao mercado de comic shops e de revistas é, para as editoras, uma morte certa. Não que eu seja um dos profetas do apocalipse, que diga que as publicações impressas irão acabar em breve e coisas assim. Longe disso. Mas uma coisa que a humanidade demonstrou ser é dinâmica e nunca é bom botar suas fichas em um lugar só. É importante fazer apostas e ir acompanhando o desenvolvimento da sociedade.
Se hoje Marvel e DC ganham um bom dinheiro com cinema e TV (ok, mais a Marvel do que a DC) é porque elas perceberam que as propriedades delas iam além do formato de publicação que elas empregavam. Por isso, fizeram acordos com estúdios, canais de TV, criaram produtoras… E hoje temos o grande número de adaptações dos quadrinhos acontecendo no cinema e na TV.

Mas o negócio principal dessas editoras são essas tais histórias seriadas. O que elas tem feito para o futuro? Estive presente na última San Diego Comic-Con vi vários painéis (mais abrangentes ou específicos para venda digital) e pude conferir o pensamento de executivos e roteiristas, além de perceber um direcionamento diferente entre a Casa das Ideias e sua Distinta Concorrência.
Marvel
Marvel: um painel SÓ pra falar de HQs digitais e redes sociais na última Comic-Con (Foto: Renan Martins Frade / JUDAO.com.br)
Na Casa das Ideias é perceptível que eles querem justificar na prática o apelido da editora. E que a venda digital caminha junto com as redes sociais.
Basicamente, para a Marvel, existe ainda um grande mundo a ser desvendado, já que a plataforma digital permite coisas ainda inimagináveis. Por isso foi lançado este ano a Marvel Infinite Comics, uma linha pequena de gibis de US$ 0,99 (ou gratuitos, em alguns casos) que tenta brincar com a transição permitida pelos apps de leitura para transformar a história em algo quase animado. Ainda é pouco, dá para ir além, mas é uma inovação importante.
Vale dizer também que produzir uma Infinite Comics não é nada barato. Por isso, para chegar no preço de US$ 0,99, parte do curso é subsidiado pela editora. Isso ficou claro no painel da linhaUltimate Marvel na Comic-Con, quando perguntaram para a editora Sana Amanat se ela previa algo na linha Infinite para o Ultiverso. Ela disse que não, por ser justamente muito caro.
Sana Amanat
Sana Amanat, editora do Ultiverso (Foto: Renan Martins Frade / JUDAO.com.br)
Ou seja, o que a Casa das Ideias quer, nesse momento, não é ganhar dinheiro com a venda online. Eles querem testar formatos e, principalmente, criar um mercado, pavimentando esse tipo de canal para o futuro, mesmo que tenha um prejuízo inicial. Isso também fica claro pelo fato de muitos gibis da editora virem com códigos para baixar a mesma história na plataforma online de graça, sem nenhum custo a mais para o leitor.
O estímulo para o uso do digital também acontece de outra forma, com o app Marvel AR para iOS e Android. Em quadros específicos de algumas revistas (principalmente Avengers vs. X-Men), é possível usar o celular para ver extras da HQ por meio de realidade aumentada. Tudo, mais uma vez, sem custo adicional.
“A interatividade com o público faz parte da Marvel desde a época do Stan Lee, que escrevia diretamente para os leitores nos editoriais dos gibis”, contou o CCO Joe Quesada no painel Marvel: House of Ideas durante a SDCC. Tal pensamento reflete na atuação em redes sociais da empresa, que tem bastante interatividade com os fãs no Twitter, Facebook e, claro, no Marvel.com, com conteúdos exclusivos. Isso é feito, garante a editora, pelo próprio pessoal envolvido com os quadrinhos, e não por uma agência.
Joe Quesada, o CCO da Marvel, no painel House of Ideas durante a última SDCC (Foto: Renan Martins Frade / JUDAO.com.br)
A tendência agora é que a editora amplie as iniciativas com Marvel NOW!, o relançamento da editora. Ainda na Comic-Con foi anunciado que todas as publicações que participarem da iniciativa terão extras no Marvel AR pelo menos em suas primeiras edições, com a continuidade dependendo das vendas.
DC
Na DC, é bem claro que o pensamento é exatamente o oposto da Marvel. A partir das definições da época da criação da DC Entertainment, a editora DEVE dar lucro por si só. Assim, a empresa já vê a distribuição digital não como um teste, mas como um importante mercado para ganhar dinheiro.
Painel da DC na última Comic-Con (Foto: Renan Martins Frade / JUDAO.com.br)
Por isso não existem testes, subsídios… Publicações exclusivamente digitais são, na realidade, páginas pensadas para o impresso que foram quebradas ao meio para melhor caber na tela do iPad – o que facilita, depois, o lançamento em uma revista ou encadernado. Caso você queira uma edição impressa e online de uma mesma publicação, é necessário comprar uma cópia especial, que custa um dólar a mais. Nada é de graça.
Isso não quer dizer que a DC não quer criar mercado, só não há espaço para esbanjar dinheiro. No estante da editora na Comic-Con havia, por exemplo, inúmeros gadgets para que visitantes pudessem ler HQs digitais de todas as formas possíveis, derrubando as últimas barreiras de muita gente.
Se não é possível ter a versão digital junto com a impressa pelo mesmo preço, ao menos a DC compensa isso em parte com a disponibilidade de todas as capas variantes para quem compra o gibi digital, coisa que não existe na Marvel.
Será que pega?
Ok, já vimos que as editoras estão se movimentando… Mas, será que as HQs digitais vão dar certo? Por um lado, há um público chegando por aí que vai ser alfabetizado pelos tablets, que não verá diferença entre o impresso e o digital. Aliás, eles vão preferir o digital. Sendo assim, há a tendência que esse tipo de venda online cresça cada vez mais.
Outro ponto importante é que a venda digital acontece no mesmo dia do lançamento para todo o mundo. Todo o mundo mesmo. Pela primeira vez nós, brasileiros, podemos comprar e ler uma publicação do Superman, Batman, Homem-Aranha ou X-Men no mesmo dia que sai lá nos Estados Unidos.
Nesse caso há, ainda, a barreira da língua. OComiXology, que hoje tem praticamente o monopólio das vendas digitais de Marvel e DC, possui apenas os títulos em inglês para a venda, de acordo com o contrato que a empresa assinou, até porque o trabalho de traduzir todos os gibis não é fácil, muito menos rápido – o que resultaria em um gap entre a publicação lá fora e por aqui.
Quem tem os contratos de publicação de Marvel e DC em português é, claro, a Panini, mas esse contrato prevê apenas a publicação impressa, como pude apurar com os editores do material nacional. Mas, de qualquer maneira, nada adianta a Panini (ou qualquer outra empresa) gastar dinheiro com a criação de um aplicativo e a implementação dele se existem poucos tablets em uso no mercado.
E, infelizmente, nós sabemos que tablet no nosso País é artigo de luxo.
Claro que mesmo nos EUA a questão do uso da plataforma também é um problema. Apesar do custo menor, nem todos estão dispostos a comprar um tablet, fora aqueles que ainda tem preconceito com a leitura digital – ou não vão se adaptar a ela e ponto. Por isso, a distribuição física não deve acabar, ao meu ver. Com o tempo, talvez, o mercado de quadrinhos se equipare, com 50% das vendas sendo de revistas impressas e 50% sendo online.
O fato é que, de um ano pra cá, as editoras passaram a distribuir seus gibis via aplicativos para tablets e em sites na web no mesmo dia que lançam as revistas nas comic shops e, mesmo assim, as vendas físicas cresceram em uma média maior que 20% no mesmo período, de acordo com a distribuidora Diamond.
Tudo isso motivado, claro, por crossovers como Vingadores vs. X-Men e o reboot da DC, mas isso reforça o fato de que uma distribuição não acaba com a outra.
Como entro nessa?
HQs no app do ComiXology para iPad
Polêmicas à parte, estamos em um momento único para nós, brasileiros. Se você fala inglês, os gibis dos EUA estão disponíveis no mesmo dia do lançamento. Basta comprar. E é bom lembrar que você não precisa ter um tablet para isso. Os sites DCcomics.com eMarvel.com possuem lojas online com todos os títulos da semana e milhares de publicações antigas.
Os dois sites são mantidos pela tecnologia doComiXology, que também possui uma loja online e aplicativos para iOS e Android – que são mais práticos, até, já que você consegue centralizar todas as publicações de todas as editoras em um só lugar.
Lá em cima eu perguntei se o futuro é AGORA… Sim, é.
E ele está sendo formado de acordo com nossas vontades e nossos gostos, não só pelo que compramos, mas também pelo que falamos nas redes sociais. Isso cabe pra TUDO. No caso dos quadrinhos é mais forte ainda. Se você lembrar bem, a aposta das editoras para conquistar um novo público antes da venda digital eram as motion comics. Todo mundo reclamou e, na última SDCC, Joe Quesada afirmou que, pela Marvel, o projeto acabou.
Por isso, vá lá, compre um gibi digital, conheça, opine… Depois diga o que achou. Seu twitter, Facebook, G+, Tumblr, Pinterest, Orkut, ACREDITE, serve pra isso também. Faça o futuro como VOCÊ quer. É melhor do que ficar reclamando depois…
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