segunda-feira, 3 de abril de 2017

“Haole”, quadrinho com sotaque e representatividade (Pagu Comics)

DELIRIUM NERD· 26 de agosto de 2016
Logo na introdução desse segundo título do selo Pagu Comics, Ana Recalde se diz surpresa de descobrir a quantidade imensa de mulheres talentosas que encontrou em sua busca por autoras para o selo. Esse comentário é um tanto quanto peculiar, se você parar pra pensar que “Haole” é o resultado do trabalho de um time e tanto de mulheres.
Resultado de imagem para haole milena azevedo
Diferente de “As Empoderadas”, que tem roteiro e arte de Germana Viana, “Haole” tem o roteiro de Milena Azevedo, arte de Sueli Mendes e Chairim Arraes, cores de Weyne Ribeiro e arte final de Blenda Furtado. Sem contar com a capa de Brendda Lima. Que time, meus amigos e amigas, que time!
Resultado de imagem para haole milena azevedo
“Haole”, que se lê ráuli, é a palavra que define o surfista que não é nativo da praia onde está surfando. Ao longo do quadrinho ainda existem outras expressão do surfe e também do Nordeste, já que a história se passa em Natal, no Rio Grande do Norte. Nada que o glossário da introdução não traduza. Sem pânico! No final, você ainda vai sair falando gíria arretada.

Sinopse

Resultado de imagem para haole milena azevedo
Irene é uma garota negra, que sai da cidade de Tibau para a capital do Estado, fugindo de um passado triste e assustador. Ela é acolhida por Dona Nenzinha, que a faz trabalhar em sua lanchonete. Surfista com receio de pegar onda novamente, aos poucos Irene vai sendo obrigada a encarar seus traumas e essa experiência vai mudar completamente sua vida.

Comentários sem spoilers

Saindo do tom de ação divertida de “As Empoderadas”, “Haoli” traz uma narrativa mais voltada para o drama, seguindo os passos de uma garota atormentada por um passado triste. Irene é uma surfista de outra praia literalmente, mas ela é “haoli” metaforicamente também, porque está nadando em águas completamente desconhecidas pra ela, como o medo de voltar a surfar, a deficiência física recente que precisa aceitar, o coração fechado para não reviver o trauma. Tudo é novo e assustador pra ela.
Resultado de imagem para haole milena azevedo
Numa experiência que me lembrou a toca do coelho de “Alice no País das Maravilhas” (não tem nada a ver, gente, mas me lembrou – ou talvez tenha, sei lá haha), Irene vai ter que enfrentar tudo que evitou até então. Acho que isso define bem o quadrinho como uma descoberta, uma jornada de auto conhecimento. Nada de auto-ajuda, melação e chororô, tá?! É uma garota massa vivendo sua vida e descobrindo como deixar os fantasmas pra trás.
Imagem relacionada
Confesso que não conhecia a arte das meninas e isso foi uma surpresa muito boa. O traço é limpo e em cenas mais aproximadas ganham detalhes bem interessantes. No geral, achei a paleta de cores um tanto fria para o tema, mas às vezes isso também ajuda a deixar claro o clima mais triste das cenas. De qualquer forma, a colorização é muito bonita e cuidadosa também. Esse selo Pagu só arrasa!
Resultado de imagem para haole milena azevedo
A representatividade aqui fica mesmo por conta de Irene, garota negra, potiguar, surfista com deficiência física. Fora ela e Dona Nenzinha, uma idosa de mão firme, não existem outros personagens de grande destaque, pelo menos não nesse primeiro número. A deficiência acaba sendo uma novidade ainda maior nesse universo do quadrinho e provavelmente, esse aspecto deve ser mais explorado. Meu nível de curiosidade já está alto, obrigada.
Resultado de imagem para haole milena azevedo
Agora nos resta aguardar as continuações (por que fazem isso com a gente, quadrinhos?). O selo Pagu Comics, em parceria com o serviço de streaming Social Comics e a Editora Cândido, ainda deve lançar mais 2 histórias novas esse ano. Já estamos prontas, só mandar!
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...