sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O Golpe de 64

Cinquenta anos não bastaram para fechar as feridas do golpe de 1964. Ao contrário de outros momentos históricos no Brasil — como o Golpe de 1930 e a Revolução Constitucionalista de 1932 —, que foram assimilados pela sociedade, aquele 31 de março deixou sequelas. São memórias que são reavivadas quando, em pleno ano de 2014, um procurador da República conclama uma intervenção militarmanifestantes pedem a volta da ditadura ou a luta contra a violência no período é considerada “merda”.
“Ainda hoje temos reflexos no momento político”, lembra o jornalista Oscar Pilagallo, autor de obras como História da Imprensa Paulista e A História do Brasil no Século 20. “Este mês [no dia 10] vai ser divulgado o relatório da Comissão Nacional da Verdade sobre crimes cometidos na ditadura. Ou seja, [o golpe] é algo presente ainda hoje.”
Por aquele período tortuoso da nossa história ainda estar em voga, Pilagallo fez parceria com o artista Rafael Campos Rocha (autor de Deus, Essa Gostosa), e ambos acabam de lançar O Golpe de 64, uma história em quadrinho que narra os momentos decisivos que culminaram na chegada dos militares ao poder. A obra começa com o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e percorre o caminho vivido pelo País até a derrubada do presidente João Goulart uma década depois.
“Aquele foi um período de vigilância e tutela do capitalismo internacional, principalmente norte-americano, sobre os países latino-americanos”, afirma Rocha. “Tinha a ver com a revolução cubana, com o bloco soviético também e com o crescimento econômico global. O cenário hoje é diferente, apesar de derivado daquele.”
Pilagallo também observa diferenças nos cenários das duas épocas. “Em 1964 existia uma polarização mundial: Guerra Fria, capitalismo e socialismo… O Brasil era uma democracia naquele tempo, mas sem a mesma abrangência da democracia que vemos hoje. Era algo incipiente”, lembra. Esta lacuna entre os conceitos de democracia — pré-golpe e pós-Diretas-Já — torna improvável que a voz dos descontentes que pedem o retorno dos militares seja ouvida. “A polarização que hoje existe no Brasil não considera o fato de que os dois grandes partidos são parecidos. Ambos têm muito em comum.”
Rocha vê algo positivo nos atuais protestos de extrema direita: sinal de que houve avanços sociais. “O Brasil é um país racista e conservador que sustenta uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Sua burguesia é praticamente iletrada e não quer ceder nenhum direito às outras classes. Por ela, voltaríamos com a escravidão. Por tudo isso, acho que as reações violentas dessa direita são um bom sinal. Sinal de que houve avanços nos direitos LGBT, na aceitação do negro e da mulher como iguais na sociedade, na qualidade de vida de quem vive nas regiões norte e nordeste do País…”
Se o golpe se repetir como desejam os conservadores, ao menos teremos uma certeza trazida por Hegel e Marx: “A História repete-se sempre, pelo menos duas vezes: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Segundo informações do Brasil Post. .” Fonte:http://zinebrasil.wordpress.com/. Via EMT

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