sábado, 9 de março de 2013

Sexualidade sem preconceito


Quartoaolado
Por Milena Azevedo - GHQ
Financiado pelo Fundo de Cultura da Bahia, por meio do Edital de Culturas LGBT, O quarto ao lado (104 páginas, P&B, R$ 15,00) é um “livro-quadrinho” feito por artistas soteropolitanos é uma iniciativa louvável, que visa discutir sexualidade e a necessidade de aceitação da diferença, buscando assim ajudar na luta contra a homofobia.
Marcelo Lima é o autor das três histórias da obra, duas delas apresentadas em formato de narrativa sequencial, e uma em prosa ilustrada.
A primeira HQ, Warren e Uiliam, desenhada por André Leal, mostra o encontro entre um fotógrafo gringo que vai à Bahia a trabalho e o jovem michê Uiliam, que fazia programa junto com dois amigos, mas encarava o sexo com homens apenas como ossos do ofício, entendendo que gostava mesmo de mulher.
Ao se relacionar com Warren, Uiliam percebeu-se completamente apaixonado. Enfrentando a zombaria dos amigos, parte para a Europa atrás do seu amor.
Em seguida, outra HQ, O quarto ao lado, também desenhada por André Leal e com participação de Bruno Marcello, protagonizada pelos amigos Rafa e Matias, e por Isa, ex-namorada de Rafa.
Matias sempre amou Rafa, mas não saiu do armário até que o amigo e Isa romperam, de uma maneira que parecia pra valer. Após se embebedarem, os dois têm uma noite de amor.
Apesar de Rafa ter gostado da experiência, continuava indeciso, pois ainda havia sentimento por Isa. Em contrapartida, a garota acaba se envolvendo com a namorada de seu pai. Sem entender direito aquele sentimento, ela procura o “ex” para desabafar e descobre que ele também está confuso.
O conto Um corpo, ilustrado por Daiane Oliveira, finaliza a obra. Aqui a protagonista é Ticiana, uma adolescente órfã que está descobrindo o corpo e sente-se desconfortável com seu sobrepeso. Dividindo seus dias entre a escola e a escrita de fanfics que quase ninguém lê, ela fantasia seu primeiro beijo e sua iniciação sexual.
Frustrada por nenhum menino lhe dar bola, acha que nunca conseguirá nem uma coisa e nem outra. Até que sua misteriosa vizinha, Luisa, mostra-se disposta a ajudá-la.
As temáticas das três histórias são verossímeis e convincentes, e a linguagem coloquial tira o ranço de cartilha educativa que em geral acompanha esse tipo de publicação.
Apesar de haver insinuação sexual e masturbação, as imagens não são explícitas, facilitando a circulação da obra entre os adolescentes.
O traço realista e limpo de André Leal é cativante, mas em alguns momentos ele errou a mão e notam-se pequenas falhas de anatomia e continuidade, mas que não comprometem o trabalho final.
O que continua incomodando são os balões em formato retangular, que André trouxe de São Jorge da Mata Escura.
Para conseguir um exemplar direto com os autores, basta enviar e-mail para oquartoaolado@gmail.com.
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