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Fou-Tan por Roy G. Krenkel |
Tarzanide é um termo criado pelo crítico literário francês Francis Lacassin e é usado para definir personagens parecidos com Tarzan. As versões femininas são chamadas de garotas das selvas. A origem do termo tem também ligação com o criador de Tarzan: "Jungle Girl" foi o nome do romance do autor sobre uma princesa do Cambodja chamada Fou-Tan. O romance foi publicado como 'The Land of Hidden Men' em cinco partes, entre Maio e Setembro de 1931, na revista pulp Blue Book. Em 1932, o mesmo foi compilado em livro com o título Jungle Girl. Em 1941, a Republic Pictures resolveu criar um seriado cinematográfico, e resolveu associar a Edgar Rice Burroughs, surge então Jungle Girl.



Em Maio de 1944, a heroína passar a ser publicada na revista Master Comics #50, onde é publicada com o título do segundo seriado, Perils of Nyoka. A história foi ilustrada por Jack Sparling. a heroina segue sendo publicada na revista, até quem em 1945, é lançada a segunda edição revista Nyoka, the Jungle Girl, trazendo na capa o número 2, as histórias mesclaram as duas versões, a heroína se chama Nyoka Gordon e tem aventuras em selvas de várias partes do mundo. A revista durou 76 edições, e, mesmo sem a licença de Edgar Rice Burroughs, seguiu sendo chamada de "Nyoka, the Jungle Girl". A heroína foi publicada nas duas revistas até 1953.
Também em 1944, a Republic lança The Tiger Woman, ambientado na América do Sul e estrelado por Linda Stirling como Tiger Woman/Rita Arnold, no mesmo ano, a atriz estrelou Zorro's Black Whip, que apesar do nome, não é um seriado sobre o Zorro e sim sobre uma heroína similar, a The Black Whip do título, o estúdio fez uma alusão aos seriados de Nyoka, a heroína chama-se Barbara Meredith e é ajudada por Vic Gordon (George J. Lewis).
Em 1955, a Republic lança seu penúltimo seriado, Panther Girl of the Kongo, estrelado por Phyllis Coates como Jean Evans, a Panther Girl do título, o seriado era praticamente um pastiche de Jungle Girl de 1941 e reutilizou cenas de arquivo do mesmo.
Após o processo de plágio movido pela National (atual DC), que alegava que o Capitão Marvel era um plágio do Superman, a Fawcett vendeu várias séries para a Charlton, onde a heroína mudou de visual e se tornou loira.
Em 2014, a ERB Inc. anunciou uma webcomics baseada em Fou-Tan, roteirizada por Martin Powell e ilustrada por Will Meugniot. Em 2015, Nik Poliwko substituiu Will Meugniot.
Alguns exemplos de tarzanides:
Bomba

Bomba, o filho das selvas, foi uma série de livros iniciada em 1926. No primeiro livro, as aventuras de Bomba se passavam na América do Sul, mas logo mudaram para a África. Em 1949, o personagem ganhou uma série de 12 filmes, estrelado por Johnny Sheffield, o Boy, filho adotivo de Tarzan e Jane nos filmes estrelados por Johnny Weissmuller entre os anos de 1939 e 1947, criado para substituir Korak, o filho legítimo de Tarzan e Jane nos livros, a Dell Comics misturava elementos dos livros e dos filmes, o nome do filho de Tarzan era Boy, com o tempo, foi substituído pelo Korak. Em 1967, Bomba ganhou uma versão em quadrinhos pela DC Comics. Sheffield chegou a gravar outra série chamada 'Bantu the Zebra Boy', escrita e dirigida pelo seu pai, Reginald Sheffield. Tal série, porém, nunca chegou a ser terminada.
Zobi the jungle boy
Jim das Selvas foi uma tira criada em 1934 por Don Moore (roteiros) e Alex Raymond (desenhos) . O personagem era um caçador em selvas asiáticas, entre 1931 e 1933, Raymond havia sido assistente de Lyman Young em outra série ambientada nas selvas, Tim Tyler's Luck. Os criadores chegaram a testar um tarzanide: Zobi, the jungle boy, porém o personagem não durou muito tempo no título. De 1948 a 1955, Johnny Weissmuller estrelou 16 filmes pela Columbia Pictures, e entre 1955 e 1956, o ator interpretou novamente o personagem em uma série de TV com 39 episódios.
Sheena, Queen of the Jungle

Sheena, a rainha das selvas, foi criada por Will Eisner e publicada pela primeira vez na revista britânica Wags #1 (1937). No ano seguinte, passou a ser publicada pela Fiction House, em Jumbo Comics #1. Ganhou um título próprio em 1942, Sheena, Queen of the Jungle. O nome da personagem teria sido inspirado no romance She (Ela, a Feiticeira, no Brasil), de H. Rider Haggard, publicado pela primeira vez em 1887. O livro conta a história da Ayesha, a rainha imortal do reino perdido de Kôr na Africa. Ayesha é uma possível inspiração para La de Opar, surgida em The Return of Tarzan (1913), e a Rainha Samaris XII de O Fantasma (surgida em uma página dominical de 1961). Em 2015, a Dynamite Entertainment anunciou um crossover de Sheena com Tarzan.
Ka-Zar


Em 1965, Stan Lee e Jack Kirby criam um novo Ka-Zar como coadjuvante das histórias dos X-Men - Kevin Plunder era um órfão que vivia na fictícia Terra Selvagem, uma terra habitada por seres pré-históricos e localizada no Círculo Polar Antártico. A Terra Selvagem guarda semelhanças com Pellucidar, outra série literária de Burroughs e que também chegou a ser visitada por Tarzan em Tarzan at the Earth's Core (1930). O herói já havia visitado outra terra com dinossauros - Pal-ul-don - em Tarzan the Terrible (1921). Em Dezembro de 1972, a editora lança a revista Shanna the She-Devil, criada por Carole Seuling e George Tuska. Apesar de sua origem ter como cenário a Africa, logo ela seria transferida para a Terra Selvagem, onde acabaria se casando com Ka-Zar. A Marvel também publicaria Tarzan em duas ocasiões: uma revista publicada entre 1977 e 1979 (29 edições e 3 anuais) e uma edição em Marvel Comics Super Special #29, publicada em 1983 para aproveitar o lançamento do filme Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes (estrelado por Christopher Lambert e lançado no ano seguinte). Também publicou uma mini-série em duas edição de Sheena (uma quadrinização do filme também lançado em 1984 e estrelado por Tanya Roberts).
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Jo-Jo, Congo King

Surgido em 1947, Jo-Jo é mais um caso de personagem epônimo, ou seja, seu nome veio do título de uma revista de quadrinhos de humor, a Jo-Jo Comics da Fox Feature Syndicate, que após seis edições, passou a ser chamada de Jo-Jo Congo King. O herói fala um inglês quebrado, o que sugere que pode ter sido influenciado pela versão do Tarzan interpretada por Johnny Weissmuller.
Auro, Lord of Jupiter

Targo
No Brasil, os tarzanides foram publicados por diversas editoras, inclusive pela Ebal de Adoldo Aizen, que foi a casa do Tarzan durante muitos anos. Os primeiros quadrinhos do personagem foram publicados pela primeira vez no país na revista Suplemento Juvenil de Aizen.
O mais bem sucedido dos tarzanides brasileiros foi Targo, lançado em 1962 pela Editora Outubro. Targo era um bebê que foi criado por índios apocajés. A Amazônia onde Targo vivia também possuía seres pré-históricos. Homens brancos criados por índios já haviam sido retratados em O Último dos Moicanos de James Fenimore Cooper (1826), e até mesmo por Edgar Rice Burroughs em The War Chief (1927).
Uma Amazônia pré-histórica já havia sido retratada em outras obras, como o romance O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle (1925). Quanto ao nome do personagem, há duas versões: segundo Rodolfo Zalla, o nome Targo foi usado para confundir os leitores, que comprariam pensando se tratar de Tarzan; já Gedeone Malagola afirmava que o nome Targo teria vindo do sobrenome de um amigo dos tempos da polícia (o sobrenome do amigo era Targa e que sempre era associado com Tarzan). Coincidentemente, Targa é o nome de tarzanide francês, publicado entre 1947 e 1951. Targo foi publicado até meados da década de 1970 pela Taíka, nome que a Outubro passou a usar após a Editora Abril ter registrado todos os meses do ano. Em 1993 teve uma única edição pela Editora Ninja.
Luana, a filha da floresta
Em 1968, é lançado o filme germano-italiano Luana la figlia della foresta vergine, dirigido por Roberto Infascelli (com o pseudônimo de Bob Raymond) e estrelado por Mei Chen, o filme conta a história de uma jovem que sobreviveu a um acidente de avião na Africa. Órfã de pai, ele acaba sendo criada por macacos.
Para promover o filme, foram contratados dois artistas que trabalharam com Tarzan: Frank Frazetta (responsável pela ilustrações de edições da série de livros publicadas pela Ace Books na década de 1960) e Russ Manning (que ilustrou quadrinhos do Tarzan para as editoras Dell e Gold Key, além de tiras diárias e pranchas dominicais distribuídas pela United Feature Syndicate, diferente de Frazetta, Manning não apenas ilustrou pôsteres do filme, como produziu tiras diárias de Luana, em 1974, a arte de Frazetta foi reutilizada em duas publicações:
Uma versão em romance publicada pela Ballantine e escrita por Alan Dean Foster, um autor conhecido por adaptar diversões filmes e franquias como Star Wars, Star Trek e Alien.
Na edição #31 da revista Vampirella da Warren, que além da capa de Frazetta trouxe uma quadrinização assinada por Doug Moench (roteiro) e Esteban Maroto (desenhos).


Embora a inspiração seja Tarzan, há diferença entre os diversos tarzanides: alguns se assemelham a Tarzan ao serem crianças selvagens criadas na floresta, outros são robinsonadas, ou seja, homens ou mulheres que tentam voltar para a civilização.
Robinsonada é um termo derivado de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe (1719). Exemplos:
Thun'da, de Frank Frazetta, e os brasileiros Hur, de Wilson Fernandes, e Tarun, de Paulo I. Fukue. Alguns podem até desistir de voltar para a civilização, como é o caso de Rulah. A deusa das selvas da Fiction House, Rulah pode ser definida como Going Native, o termo também define personagens que mudam de cenário por conta própria, como Shanna, the She-Devil.
Fontes e referências
Mattos, A. C. Gomes de. A Outra Face de Hollywood: Filme B. [S.l.]: Rio de Janeiro: Rocco.
Going Native
Mes trésors
Jungle Girl (serial)
Jungle Girl by Edgar Rice Burroughs
Nyoka the Jungle Girl
Sheena e as tarzanas
Les Tarzanides du grenier (n° 26)
Jungle Jim (pt 1)
Queen Samaris' Crush on Phantom (Remix version of Indrajal Comics No. 13)
Jungle Jim (pt 2)
Ka-Zar, um dos personagens mais antigos da Marvel
Public Domain Super Heroes Wikia
Sheena Vol 1
Tarzan in Marvel Wikia
Memo, a revista da memória gráfica
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