Por Marcus Ramone - UHQ
Antes do fatídico 11 de setembro de 2001, em que os Estados Unidos sofreram o maior atentado terrorista de sua história, talvez apenas a Segunda Guerra Mundial havia repercutido no mundo do entretenimento de forma tão avassaladora.
Nos quadrinhos de super-heróis, as reações foram imediatas e, como ainda pode ser observado depois de passados seis anos, mudanças significativas foram impostas no que ainda restava de inocência em suas histórias.
Se a sociedade norte-americana - e, por que não dizer, do resto do mundo - ficou mais desconfiada, isso se refletiu sobremaneira nos gibis.
Poucos meses depois dos atentados - o mais destrutivo deles foi realizado por intermédio de dois aviões seqüestrados e jogados contra as duas edificações que formavam o World Trade Center - uma avalanche de HQs especiais sobre o tema chegou às comic shops nos Estados Unidos.
A editora independente Alternative Comics, por exemplo, ganhou mais notoriedade no mercado ao publicar 9-11 Emergency Relief, com 208 páginas de histórias em quadrinhos nas quais 80 artistas, entre eles ninguém menos que Will Eisner e Harvey Pekar, narravam o heroísmo de bombeiros e policiais que trabalharam no resgate de corpos e de sobreviventes daquela tragédia.
Os valores arrecadados com as vendas de 9-11 Emergency Relief foram doados à Cruz Vermelha norte-americana. Outras editoras fizeram o mesmo, destinando também as rendas para fundos de apoio aos familiares das vítimas.
Foi o caso de Amazing Spider-Man #36, lançada pela Marvel Comics ainda no ano do atentado e, no Brasil, em Homem-Aranha - Em memória das vítimas do 11 de setembro(Panini Comics, 2002). Embora a história apresentasse cenas pouco convincentes como Magneto e Doutor Destino chorando pelos mortos na tragédia, a intenção era mostrar o profundo sentimento de pesar que pairava sobre a população dos Estados Unidos. A HQ vendeu mais de 200 mil exemplares.
O Homem-Aranha também foi afetado em seu primeiro longa-metragem para o cinema. A cena e quem o personagem detém a queda de um helicóptero, armando uma rede de teias entre as torres gêmeas, foi sumariamente deletada da edição final do filme.
Um ano depois do ataque ao World Trade Center, a Marveldeu novo fôlego editorial ao Capitão América. A partir dali, o Sentinela da Liberdade passou a voltar suas ações contra terroristas, inimigos bem mais críveis pelos leitores do que os supervilões que o personagem costumava enfrentar.
A missão de combater o terrorismo coube até mesmo a um herói urbano, como ainda será visto em Holy Terror, Batman!, graphic novel que está sendo produzida por Frank Miller nos Estados Unidos. Na trama, o Cavaleiro das Trevas medirá forças com o grupo terrorista al-Qaeda e Osama bin Laden, mentor dos nefastos acontecimentos que marcaram o dia que o mundo jamais esquecerá.
O 11 de setembro também influenciou a Guerra Secreta, minissérie da "Casa das Idéias" em que Nick Fury, até então o mandachuva da S.H.I.E.L.D., reuniu, às escondidas, vários super-heróis para acabar com os planos terroristas da governante da Latvéria contra os Estados Unidos.
Fury revelou haver prometido a si mesmo que "aquele dia" jamais iria se repetir, se dele dependesse. Por isso, à revelia do governo norte-americano, invadiu a Latvéria para, segundo ele, "cortar o mal pela raiz".
A Marvel ainda publicou alguns especiais abordando o atentado de 11 de setembro: a HQ A Moment of Silence (produzida por Brian Michael Bendis, John Romita Jr., Kevin Smith e outros);Heroes, um livro de arte com pin-ups de vários artistas, mostrando heróis como Hulk, Capitão América e criações de outras editoras, além de personagens comuns como bombeiros e policiais, retratados com reações diversas diante de tanta morte e destruição - a obra foi uma compilação dos trabalhos exibidos em 2002 na mostra Heroes Among Us, realizada pelo New York City Fire Museum, nos Estados Unidos; e The Call (no Brasil,Emergência: A serviço da vida, lançada pela Panini em 2003), minissérie protagonizada pela Polícia, Defesa Civil e o Corpo de bombeiros.
Também houve um crossover entre editoras para o lançamento de 9-11: September 11, 2001. Apresentando dezenas de quadrinhistas consagrados, entre eles Neil Gaiman, Will Eisner, Stan Lee e muitos outros, a revista apresentou diversas histórias sobre o tema e foi publicada em dois volumes, o primeiro pela Dark Horse, Chaos! e Image, e o segundo com a chancela da DC Comics, destacando uma aventura em que o Super-Homem se lamenta porque não pôde fazer nada para impedir o atentado terrorista, já que o personagem não existe no mundo real.
A mais contundente HQ sobre esse amargo assunto, entretanto, é The 9/11 Report: A Graphic Adaptation, escrita por Sid Jacobson, desenhada por Ernie Cólon e lançada no ano passado, nos Estados Unidos, pela editora Hill and Wang.
Trata-se da adaptação do relatório oficial do governo norte-americano sobre o 11 de setembro, mostrando eventos depois e antes do atentado, incluindo as informações que as agências de inteligência daquele país já haviam coletado sobre vários dos suspeitos.
Outra aplaudida graphic novel sobre o tema é In the Shadows of No Towers - no Brasil, À Sombra das Torres Ausentes (Companhia das Letras, 2004), de Art Spiegelman -, em que o autor narra seu trauma e o de sua família quanto àquele fato marcante em suas vidas.
Apesar de vítima direta daquele dia de terror, entretanto, não foi apenas a sociedade norte-americana que se sentiu afetada pelo que aconteceu naquela data. Em outros países, as manifestações de solidariedade, indignação e luto também se traduziram em histórias em quadrinhos.
Entre alguns desses exemplos, estão Le 11e jour, de Sandrine Revel, publicado na França em 2002 e que narra o relato pessoal da autora, testemunha do período de horror por que passaram os norte-americanos durante e depois do ataque terrorista; e Cão Maravilha, Reencontro Mortal, de Reginaldo Carlota e Micael Holderbaum, produção brasileira em que o super-herói canino, inconformado com o fato de não ter evitado os atentados de 11 de setembro, torna-se violento a ponto de espancar e matar seus inimigos.
O Universo HQ, na época com pouco mais de um ano de existência, registrou aquele fato que chocou o mundo.
Era 12 de setembro de 2001, e o trecho de uma nota sobre a tragédia, assinada pelo editor Sérgio Codespoti, antecipou o que foi incansavelmente mostrado em praticamente todas as histórias em quadrinhos que abordaram o assunto desde então: "Hoje, e nos próximos dias, os heróis não serão personagens como o Homem-Aranha, a Liga da Justiça, os Vingadores ou o Justiceiro, mas todos os voluntários, bombeiros, policiais e pessoas envolvidas neste esforço monumental para salvar vidas".
O sentimento de indignação do UHQ, expresso no último parágrafo do referido texto, continua valendo contra aquele e quaisquer outros atos que atentem contra a vida, sejam em que magnitudes forem.
E que, um dia, os personagens dos quadrinhos não precisem mais se preocupar tanto com o que anda acontecendo aqui fora.

Nos quadrinhos de super-heróis, as reações foram imediatas e, como ainda pode ser observado depois de passados seis anos, mudanças significativas foram impostas no que ainda restava de inocência em suas histórias.
Se a sociedade norte-americana - e, por que não dizer, do resto do mundo - ficou mais desconfiada, isso se refletiu sobremaneira nos gibis.
Poucos meses depois dos atentados - o mais destrutivo deles foi realizado por intermédio de dois aviões seqüestrados e jogados contra as duas edificações que formavam o World Trade Center - uma avalanche de HQs especiais sobre o tema chegou às comic shops nos Estados Unidos.

Os valores arrecadados com as vendas de 9-11 Emergency Relief foram doados à Cruz Vermelha norte-americana. Outras editoras fizeram o mesmo, destinando também as rendas para fundos de apoio aos familiares das vítimas.
Foi o caso de Amazing Spider-Man #36, lançada pela Marvel Comics ainda no ano do atentado e, no Brasil, em Homem-Aranha - Em memória das vítimas do 11 de setembro(Panini Comics, 2002). Embora a história apresentasse cenas pouco convincentes como Magneto e Doutor Destino chorando pelos mortos na tragédia, a intenção era mostrar o profundo sentimento de pesar que pairava sobre a população dos Estados Unidos. A HQ vendeu mais de 200 mil exemplares.

Um ano depois do ataque ao World Trade Center, a Marveldeu novo fôlego editorial ao Capitão América. A partir dali, o Sentinela da Liberdade passou a voltar suas ações contra terroristas, inimigos bem mais críveis pelos leitores do que os supervilões que o personagem costumava enfrentar.
A missão de combater o terrorismo coube até mesmo a um herói urbano, como ainda será visto em Holy Terror, Batman!, graphic novel que está sendo produzida por Frank Miller nos Estados Unidos. Na trama, o Cavaleiro das Trevas medirá forças com o grupo terrorista al-Qaeda e Osama bin Laden, mentor dos nefastos acontecimentos que marcaram o dia que o mundo jamais esquecerá.
O 11 de setembro também influenciou a Guerra Secreta, minissérie da "Casa das Idéias" em que Nick Fury, até então o mandachuva da S.H.I.E.L.D., reuniu, às escondidas, vários super-heróis para acabar com os planos terroristas da governante da Latvéria contra os Estados Unidos.

A Marvel ainda publicou alguns especiais abordando o atentado de 11 de setembro: a HQ A Moment of Silence (produzida por Brian Michael Bendis, John Romita Jr., Kevin Smith e outros);Heroes, um livro de arte com pin-ups de vários artistas, mostrando heróis como Hulk, Capitão América e criações de outras editoras, além de personagens comuns como bombeiros e policiais, retratados com reações diversas diante de tanta morte e destruição - a obra foi uma compilação dos trabalhos exibidos em 2002 na mostra Heroes Among Us, realizada pelo New York City Fire Museum, nos Estados Unidos; e The Call (no Brasil,Emergência: A serviço da vida, lançada pela Panini em 2003), minissérie protagonizada pela Polícia, Defesa Civil e o Corpo de bombeiros.

A mais contundente HQ sobre esse amargo assunto, entretanto, é The 9/11 Report: A Graphic Adaptation, escrita por Sid Jacobson, desenhada por Ernie Cólon e lançada no ano passado, nos Estados Unidos, pela editora Hill and Wang.
Trata-se da adaptação do relatório oficial do governo norte-americano sobre o 11 de setembro, mostrando eventos depois e antes do atentado, incluindo as informações que as agências de inteligência daquele país já haviam coletado sobre vários dos suspeitos.

Apesar de vítima direta daquele dia de terror, entretanto, não foi apenas a sociedade norte-americana que se sentiu afetada pelo que aconteceu naquela data. Em outros países, as manifestações de solidariedade, indignação e luto também se traduziram em histórias em quadrinhos.
Entre alguns desses exemplos, estão Le 11e jour, de Sandrine Revel, publicado na França em 2002 e que narra o relato pessoal da autora, testemunha do período de horror por que passaram os norte-americanos durante e depois do ataque terrorista; e Cão Maravilha, Reencontro Mortal, de Reginaldo Carlota e Micael Holderbaum, produção brasileira em que o super-herói canino, inconformado com o fato de não ter evitado os atentados de 11 de setembro, torna-se violento a ponto de espancar e matar seus inimigos.
O Universo HQ, na época com pouco mais de um ano de existência, registrou aquele fato que chocou o mundo.
Era 12 de setembro de 2001, e o trecho de uma nota sobre a tragédia, assinada pelo editor Sérgio Codespoti, antecipou o que foi incansavelmente mostrado em praticamente todas as histórias em quadrinhos que abordaram o assunto desde então: "Hoje, e nos próximos dias, os heróis não serão personagens como o Homem-Aranha, a Liga da Justiça, os Vingadores ou o Justiceiro, mas todos os voluntários, bombeiros, policiais e pessoas envolvidas neste esforço monumental para salvar vidas".
O sentimento de indignação do UHQ, expresso no último parágrafo do referido texto, continua valendo contra aquele e quaisquer outros atos que atentem contra a vida, sejam em que magnitudes forem.
E que, um dia, os personagens dos quadrinhos não precisem mais se preocupar tanto com o que anda acontecendo aqui fora.
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