quinta-feira, 2 de abril de 2015

CAPITÃO GRALHA, o enigma enfim revelado!!!




Depois de mais de 15 anos de silêncio, a família de Francisco Iwerten quebrou o silêncio sobre o Capitão Gralha, personagem do autor que muitos acreditam ter sido a inspiração para a criação do personagem curitibano Gralha, que já ganhou dois encadernados, sendo um deles publicado em 2014 pela editora Quadrinhópole.
O filho de Francisco, Fernando Iwerten, que hoje reside na cidade de Esteio, no Rio Grande do Sul, falou com exclusividade ao Terra Zero sobre a polêmica em torno do nome de seu pai.
A existência de Francisco Iwerten sempre foi motivo de dúvidas no meio dos quadrinhos. Enquanto os autores do Gralha afirmavam que ele era um personagem fictício, alguns fãs duvidavam da versão e, após conversar com a velha guarda dos quadrinistas da Grafipar, encontraram os rastros da família Iwerten, que, à época, preferiu o silêncio e a discrição. O quadrinista recebeu, em 2006, o prestigioso prêmio Ângelo Agostini, na categoria Mestres do Quadrinho Nacional.
Terra Zero, desde o mês de janeiro, soube da história e correu atrás dos fatos reais. Apenas na última segunda-feira (30), o filho de Iwerten decidiu nos conceder esta entrevista. Infelizmente, a verdade pode ser bastante decepcionante para quem achava que os criadores do Gralha eram os vilões da história.
Terra Zero – Afinal, quem foi Francisco Iwerten?
Fernando Iwerten - Francisco Iwerten foi um comerciante e pai de família paranaense, que era um grande fã de quadrinhos. Nasceu em 1919 e faleceu em 2009, aos aos 90 anos de idade. Só tentou publicar quadrinhos uma vez, quando influenciado pelos grandes heróis norte-americanos, criou o Capitão Gralha. O problema é que, embora ele tenha gasto um bom dinheiro imprimindo cópias para mandar para os editores, ninguém aprovou a história. Um editor enviou carta explicando que até poderia dar processo, pois o Capitão era uma espécie de plágio de vários heróis existentes. Papai nunca se abalou com isso, e seguiu como leitor e colecionador. Temos cerca de 9 mil exemplares que herdamos de sua coleção.
E como o personagem do seu pai se relaciona ao Gralha?
Ah, isso é engraçado. Não se relaciona de forma alguma. Na verdade, a relação é indireta. Quando o Gralha já tinha sido criado e os autores queriam inventar uma história de origem para ele e pensaram nele ser derivado de um Capitão Gralha, alguém falou para eles do personagem do meu pai. Possivelmente algum dos colecionadores que eram amigos em comum da nossa família e dos autores fez a ponte. Então eles ligaram a origem do Gralha ao Capitão Gralha do meu pai. Poderiam nem ter feito isso. Papai nunca registrou a marca e nem publicou nada do personagem. Foi muito correto da parte deles fazer esta homenagem a um personagem que nunca foi publicado, mas que foi criado por um amante dos quadrinhos.

Você considera que foi correto da parte dos criadores do Gralha essa história de dizerem que seu pai era um autor fictício?

Sim, isso foi um acordo entre a família e eles. Pedimos que eles sustentassem essa história porque ficamos com medo da repercussão, quando meu pai chegou a ganhar um prêmio e jornalistas queriam falar com ele. Ele não tinha muito a dizer, pois sua HQ nunca foi publicada e falar sobre isso poderia desgastá-lo. Achamos muito bom que o personagem dele tenha servido como base para a criação do Gralha, mas sabemos que as semelhanças entre eles terminavam no nome. O Capitão Gralha era apenas uma mistura de Batman com Superman e outros heróis dos anos 1940, já o Gralha é algo totalmente novo. Guardamos com muito carinho a edição autografada que o papai recebeu dos autores no começo dos anos 2000.
Então você não acha que o prêmio Ângelo Agostini foi merecido?
Os criadores do Gralha fizeram do meu pai uma lenda, mas na verdade ele era só um escritor sem muitas ideias originais e influenciado pelos personagens estadunidenses. Quando contatei a organização do prêmio Angelo Agostini, há alguns anos, expliquei que Francisco Iwerten realmente viveu, mas que ele nunca foi um mestre dos quadrinhos. Foi sim um grande homem e um ótimo pai de família, mas nunca um grande quadrinista. Eles entenderam e, recentemente, revisaram o prêmio de 2006.
Nunca havia lhe passado pela cabeça falar sobre isso antes?
Não, pois o meu pai se divertia muito com essa polêmica, de gente dizendo que ele existia e outros jurando que não existia. O que ele achava mais engraçado era quando aparecia gente dizendo que ia achar a publicação original do Capitão Gralha. Isso era impossível, pois ela nunca foi impressa em grande escala. Houve apenas uma prova de impressão, que cedemos para o pessoal que criou o Gralha usar se precisasse. Pesou também a idade do papai. Possivelmente ele acharia muito divertido, mas não queríamos jornalistas o procurando a todo momento.
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