domingo, 7 de outubro de 2012

Revista em quadrinhos do Círio de Nazaré foi lançada na Feira do Livro do Pará

Por Governo do Pará

Cômicas, romanceadas ou repletas de aventuras, as Histórias em Quadrinhos (HQs) estabelecem uma relação direta e imediata com o leitor. Rica em imagens e com textos dinâmicos, expressos principalmente nos diálogos, as HQs têm legiões de fãs em todos os continentes. E foi pensando nessa facilidade de comunicação da chamada “nona arte”, que o quadrinhista paraense Luiz Pinto, após longa trajetória como chargista e cartunista, idealizou a História em Quadrinhos do Círio de Nazaré, obra (...), lançada no último dia 22/09, no Ponto do Autor, dentro da programação da XVI Feira Pan-amazônica do Livro. O evento, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), aconteceu no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, até 30 de setembro.
O projeto de transpor para a linguagem dos quadrinhos a história da devoção a Nossa Senhora de Nazaré, iniciada em Portugal e que chegou ao Pará há mais de dois séculos, foi um verdadeiro desafio para Luiz Pinto. A primeira edição, publicada em 1993, ano do Círio 200, saiu encartada em uma revista da Agência Ver Editora, em preto e branco. Depois, ainda pela mesma editora, a revista foi publicada apenas com a capa colorida.

A edição, que será autografada na Feira do Livro, revista, ampliada e colorida, foi impressa em 2011, com o apoio do Governo do Estado, por meio da Companhia Paraense de Turismo (Paratur). Todo o trabalho de colorização, feito pelo próprio autor, levou quase 10 meses para ser concluído. Luiz aproveitou a nova edição para fazer ajustes em algumas páginas, que na primeira edição ficaram com excesso de texto. As páginas foram redesenhadas e as mudanças podem ser vistas nas páginas finais, nas quais ele explica o motivo e a ampliação realizada.
“Essas alterações foram necessárias para recuperar a agilidade e a objetividade da linguagem dos quadrinhos. A transformação em duas páginas recobrou essa característica fundamental na leitura de HQ”, ressalta Luiz Pinto, cujo trabalho se caracteriza por ser um “quadrinho de autor”, que retrata a devoção a Nossa Senhora e o Círio de Nazaré sob a perspectiva histórica. “A História do Círio de Nazaré em Quadrinhos veio se juntar às inúmeras obras e registros feitos sobre um evento que mobiliza, a cada ano, mais de 2 milhões de pessoas. O objetivo desse trabalho é contribuir para levar essa história tão singular, que se reescreve a cada segundo domingo de outubro, a todos os leitores, especialmente às crianças e adolescentes, que podem ter nos quadrinhos uma porta aberta ao conhecimento”, destaca o autor.
Responsável pelo roteiro, Luiz passou anos pesquisando a história do Círio e a origem dessa devoção, que começa em 1182, em terras de Portugal – país homenageado nesta edição da Feira do Livro -, com o milagre envolvendo o nobre português D. Fuas Roupinho. “É uma história fascinante, já que a imagem de Portugal seria uma cópia de Maria, esculpida na Galiléia, e teria passado pelas mãos de São Jerônimo e Santo Agostinho, escapado a perseguições e ao passar dos séculos. E isso sem contar as histórias que cercam a imagem em Belém, desde o achado até o primeiro Círio, passando por problemas políticos e polêmicas provocadas pelas mudanças ocorridas na procissão com o passar dos anos”, conta o autor.
Luiz Pinto faz questão de ressaltar que a revista não é direcionada apenas à população católica ou àqueles que, mesmo professando outras religiões, se identificam com o Círio e a devoção a Maria. “Sem dúvida, é uma revista feita para levar essa história a todas as camadas da população”, enfatiza.
Trajetória
Nascido em Santarém, no oeste do Pará, terra do maestro Wilson Dias da Fonseca, o “Isoca”, patrono da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, Luiz Antonio de Faria Pinto, 58 anos, que assina suas criações como “Luizpê”, tem uma longa trajetória no jornalismo gráfico, como diagramador, ilustrador, chargista, caricaturista e cartunista. Integrante de uma família de jornalistas e escritores, Luiz transita com desenvoltura também pela música. Trabalhou em jornais de São Paulo (SP), Salvador (BA) e Belém (PA). Há vários anos vem se dedicando ao trabalho em quadrinhos e ao Jornal Pessoal. O projeto em curso é a História em Quadrinhos da Cabanagem, a revolução popular que tomou conta do Pará a partir de 1835.
“Esse também é um projeto longo, que quase concluí em 2006, mas por uma série de problemas, inclusive de saúde, ainda não pude terminar. Mas já retomei e espero lançar no próximo ano. A Cabanagem é outro tema fascinante. É um fato histórico, com nuances próprias, que certamente seduzirá os leitores na dinâmica linguagem dos quadrinhos”, diz Luiz Pinto.
Literatura e imagem
Pelo mundo afora, as histórias em quadrinhos ganham nomes e estilos diversos. Presentes em livros, revistas, álbuns ou jornais, elas recebem em Portugal o nome de Banda Desenhada, e na França, Bande Dessinée. Nos Estados Unidos, grande centro dos quadrinhos de aventura, voltadas às figuras de super-heróis, são os Comics, e no Japão, os mundialmente famosos Mangás. Para os italianos são Fumetti (alusão aos balões dos diálogos, que parecem fumaça saindo das bocas dos personagens), e para os espanhóis, os Tebeos. Na Argentina, as HQs são Historietas, em Cuba, Muñequitos, na Coreia do Sul, Manhwas, e na China, Manhuas.
Independentemente da forma como são conhecidas, as HQs estão presente na história do homem desde a antiguidade. Pinturas rupestres, os hieróglifos egípcios e as tapeçarias da Idade Média são considerados pelos estudiosos como a origem desse gênero de arte, que une literatura e imagens desenhadas ou pintadas. “Meu trabalho está mais voltado ao quadrinho feito na Europa. Antes de escolher um tema, estudo bastante, pesquiso vários autores, porque posso contar a história de várias formas, até com personagens fictícios, como acontece com a HQ do Círio, mas os fatos não podem ser alterados. Por isso que defino como um quadrinho de autor”, frisa Luiz Pinto.
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