terça-feira, 23 de setembro de 2014

DC na TV: quem disse que a revolução não seria televisionada?

Depois de décadas e décadas com séries espaçadas, finalmente os super-heróis da DC estão merecendo a atenção necessária - o que, na temporada 2015, pode refletir em nada menos que SEIS séries sendo exibidas simultaneamente

Ontem, dia 22 de setembro, começou aquela que pode ser considerada a dominação da TV pelos heróis da DC Comics. É que é justamente nesta noite que o canal aberto estadunidense Fox trará a estreia de Gotham, a aguardada série que irá explorar o mundo da famosa cidade fictícia ainda quando Bruce Wayne era um garoto. Gotham abrirá as portas para as estreias de Flash, iZombie e Constantine – que se juntam à Arrow, que entrará na terceira temporada.
Teremos mais em breve, claro. Supergirl já está confirmada (mesmo que sem ser oficialmente) para o futuro. Quando Supergirl estrear – e nenhuma outra produção ficar pelo caminho – teremos os personagens da DC Comics em quatro dos cinco grandes canais abertos dos EUA: NBC, CBS, CW e Fox. Apenas ABC, que é atualmente da Disney e já tem Agents of S.HI.E.L.D. e a vindoura Agent Carter como representantes da Marvel, ficará de fora.
É surpreendente ver tudo isso quando lembramos que, na temporada 2011-12 a TV dos EUA, tivemos NENHUMA série baseada nos heróis da editora. E que, depois disso, Arrow reinou sozinha neste posto – assim como foi Smallville por muitos anos. Mas… Não dá pra dizer que essa ~dominação seja apenas uma tentativa de combater o crescimento da Casa das Ideias no live-action. Trata-se de um processo muito maior. É que, apesar da DC já ser figurinha carimbada na telinha há décadas, nunca teve tanta atenção como agora.
Você sabia, por exemplo, que entre os anos 70 e começo dos 90, a Warner só bancou DUAS séries com os heróis da editora? Mas… Apesar de um pouco vazia em alguns momentos, essa história dos super-heróis da DC na televisão tem o envolvimento de diversos estúdios, de vários canais, grande lances, ótimos episódios, boas histórias – e alguns momentos pra lá de baixos, também.
Enfim… Essa é uma história que merece ser contada.

Pré-história

Dizer que a DC apareceu na TV junto com o surgimento da própria mídia já é um erro. Na real, os heróis da TV em séries são algo que precede o próprio lançamento da televisão!
Calma, eu explico: ainda no começo do século XX, o cinema começou a ficar popular como um local de entretenimento. Basicamente, as pessoas iam até lá e, além do filme longa-metragem, viam curtas em animação ou live-action (como Looney Tunes e Os Três Patetas), média-metragens e cinejornais. No caso, normalmente os média-metragens eram os chamados “serials”, ou seriados. Sim, a ideia era muito parecida com os programas da TV de hoje: vários episódios que, juntos, formavam uma história maior.
Assim, a então Detective Comics, Inc. fechou um acordo com a Columbia para, em 1943, produzir o seriado Batman, com 15 capítulos. Com o clima de 2º Guerra Mundial e passagens extremamente preconceituosas aos japoneses – e que era justamente o que o público queria ver – a produção fez sucesso e deu origem a um segundo seriado, Batman and Robin, de 1949.
Esses são Batman e Robin dos anos 40 ;)

Já o Superman conheceu o cinema em 1948, num acordo da agora National Periodical (sim, a DC trocou de nome diversas vezes nesse período) também com a Columbia. Assim, o Homem de Aço teve duas produções, sendo a segunda de 1950 – ambas estreladas por Kirk Alyn. No total, foram 30 episódios.
Apesar de ainda não ser um herói DC, o Capitão Marvel (então da editora Fawcett) também teve um seriado, em 1941 – dessa vez, produzido pela Republic Pictures.
No começo dos anos 50, a TV já era uma realidade nos EUA. Aos poucos a nova mídia foi roubando o público do cinema que, aos poucos, foi tomando o formato que conhecemos hoje. Por outro lado, as emissoras tinham programação escassa e começaram a comprar os direitos de exibição de alguns dos antigos seriados, o que deu uma sobrevida para as produções por algum tempo.

Estreia na TV

OLHA ESSA CUECA!
Ainda em 1951, o produtor de filmes B Robert L. Lippert resolveu apostar no Homem de Aço. Em apenas 12 dias de gravações, chegaram num filme com 58 minutos chamado Superman and the Mole Man e que foi lançado no final daquele ano. A ideia era levar aquela produção, estrelada por George Reeves, para a TV. Isso aconteceu apenas no segundo semestre de 1952, quando a Kellogg’s finalmente bancou a estreia de Adventures of Superman, que durou até 1958 e teve 104 episódios.
Inicialmente com um tom sério, violência e com foco nos adultos, Adventures of Superman foi desenvolvendo um senso de humor aos poucos e, com o tempo, se tornou um sucesso entre as crianças.
Quando Adventures acabou, a DC entrou num hiato na telinha. Ele acabou em 1966, quando Batman estreou na ABC em uma produção da Fox. Na época, o Estúdio da Raposa contratou o produtor executivo William Dozier, que queria justamente uma série com aquele ar de comédia dos anos finais da série do Superman, junto, claro, do lado mais sério de “combate ao crime”.
Batman foi um sucesso. Aquele estilo camp, cores exageradas e roteiros infantis foram na veia do público-alvo e, assim, surgiu a Batmania – por mais que, na época, o pessoal das HQs não tivesse bons olhos para a série, já que estavam querendo deixar o Homem-Morcego mais sério.
Só que isso durou pouco. No final da terceira temporada, a Batmania havia acabado e a série não tinha mais a audiência de antes. A ABC então mandou cancelar Batman, além de engavetar de vez outras ideias de Dozier, que eram spin-offs estrelados pela Batgirl e ainda a série Mulher-Maravilha. A Fox então iniciou o processo de demolir os cenários. Sem saber disso, a NBC se ofereceu para exibir uma quarta temporada – porém, não queria mais bancar o custo da construção de novos cenários. Batman assim passou a viver de reprises de seus 120 episódios, que tornaram o show definitivamente o cult que é hoje.

Adam West and Burt Ward in Batman.

Surge a Warner

Ainda durante a exibição de Batman, uma série de transformações botaram a DC no contexto que conhecemos hoje. Em 1967, a então National Periodical foi comprada pela Kinney National Services, Inc, uma empresa que vinha do ramo de estacionamentos (sim, é sério). Em 1969, o mesmo grupo comprou a Warner Bros.-Seven Arts (que tinha esse nome por ser uma fusão da… Warner e da Seven Arts).
A Kinney National entrou num escândalo justamente por conta de suas operações em estacionamentos (pois é…) e, em 1971, separou todos os negócios que não fossem de entretenimento do grupo. Como o nome não fazia mais sentido – afinal, era de uma empresa que não fazia mais parte do grupo – adotaram o nome daquela que já era a sua maior joia: Warner. Nascia a Warner Communications, já com a DC e a Warner Bros. como parte da mesma família.
Teoricamente, isso deveria abrir as portas da TV para a DC. Mas, vamos lá, anos 70, as coisas não eram tão óbvias assim. Um filme com um personagem da editora nos cinemas só surgiria em 1978, com Superman. Já a primeira série de televisão da nova fase nem foi uma produção da Warner, mas sim da Filmation. E nem foi com um dos medalhões da editora, mas sim com o Capitão Marvel.
http://www.youtube.com/watch?v=ZDgPwm_9HJc
Entre 1974 e 1976, Shazam! teve 28 episódios exibidos na CBS e deu origem a um spin-off, A Poderosa Ísis, que teve 22 episódios entre 1975 e 77. Ambos tiveram exibição prolongada por aqui na telinha do SBT.
Foi só em 1975 que o mundo viu a primeira produção da Warner Bros. Television para um herói DC. No caso, uma heroína: a Mulher-Maravilha. Estrelada por Lynda Carter, Wonder Woman trazia as aventuras da personagem durante a 2ª Guerra Mundial, se inspirando assim nas HQs clássicas da personagem. Era uma produção cara, apesar da audiência sólida. Resultado? O canal ABC também cancelou a série, agora depois de apenas uma temporada.
Mas aquele não era o fim da Amazona. A CBS se interessou por ela e fechou um acordo com a WB para ter novos episódios. Com orçamento menor, fizeram uma passagem de tempo e colocaram a Mulher-Maravilha no presente. Vieram mais duas temporadas, chegando ao total de 59 episódios, fora o piloto.
"Vem cá, vem"
Como você pode perceber, a Warner ainda não dava a atenção necessária para o material que tinha na DC. Por isso, sobrou a chance para a Hanna-Barbera (sim, aquela dos desenhos animados e que estava muito longe de ser do mesmo grupo que a Warner) produzir aquela que é a primeira aparição live-action da Liga da Justiça. Isso foi em 1979, quando a Hanna-Barbera tinha também o famoso desenho animado Superamigos, também estrelado pela Liga.
Quem já viu OITÔ segundos de Superamigos já imagina o que esperar dessa produção, chamada Legends of Super-Heroes, que rendeu dois episódios de uma hora exibidos originalmente em janeiro de 1979 na NBC. Ainda não visualizou? Te jogo mais uma informação, então: Adam West e Burt Ward voltaram para reprisar os papeis de Batman e Robin, aqueles que os deixaram famosos nos anos 60.
http://www.youtube.com/watch?v=Kg2EvhTAer8
Superman (nos cinemas) e a Mulher-Maravilha (na TV) estavam em outras produções no momento, então não foram usados. Não que precisasse. Legends of Super-Heroes é um divertimento legítimo, engraçado, quase que uma paródia dos super-heróis e um ode ao camp. Aquilo também representou a estreia em carne e osso de personagens como Flash e Lanterna Verde. Claro que, como uma série de super-heróis, Legends of Super-Heroes não convence.
Depois, mais um grande hiato. Naquela época, a Warner tinha negociado os direitos de adaptação do Superman com Ilya e Alexander Salkind. Do acordo, vieram três filmes do Homem de Aço lançados pela Warner, além de um longa com a Supergirl lançado pela Tri-Star (apesar de ter tido o envolvimento da WB durante a produção). Com o fracasso dos dois últimos filmes, os Salkind negociaram os direitos do herói com a Cannon Films, que ~deu ao mundo Superman IV. Basicamente, a Warner não tinha exclusividade na distribuição dos filmes, o que hoje seria considerado um péssimo acordo.
Isso permitiu aos Salkind lançar uma série do Superboy (sobre o qual eles ainda tinham os direitos) em 1988 com distribuição da Viacom. Apesar do Superboy nunca ter sido referenciado nos filmes anteriores, a série era fortemente inspirada por eles. Aliás, naquela época, a DC havia excluído o Superboy da cronologia dos quadrinhos, fazendo Clark Kent assumir diretamente o nome Superman, sem passar pela fase “boy”.
No total, foram 100 episódios durante 4 temporadas. O fim veio em 1992, mas esse papo é pra daqui a pouco.
Outro estúdio que não a Warner a botar as mãos numa propriedade da DC foi a Universal, que entre 1990 e 1993 produziu Swamp Thing, inspirada nas HQs do Monstro do Pântano e em dois filmes com o personagem lançados anos 80. Exibida no USA Network, que é um canal pago, a produção teve 72 episódios.

Warner realmente entra no jogo

Entre 1971 e 1990, a então Warner Communications uniu suas subsidiárias DC Comics e Warner Bros. Television em apenas UMA série live-action, a da Mulher-Maravilha. Porém, isso mudou justamente na virada dos anos 80 pros 90.
Pra começar, o grupo Warner passou a dar mais atenção para a televisão e comprou a Lorimar-Telepictures, que tinha séries como Dallas e Full House. Pouco depois, a Time Inc., dona da HBO, ofereceu uma fusão para a Warner Communications. Nascia em 1990 a Time Warner – que, em 1996, comprou a Turner Broadcasting System, dona de canais como CNN, TNT e Cartoon Network, além do estúdio Hanna-Barbera.
Flash 
Nessa mesma fase, a Warner finalmente acordou para o que tinha em mãos. Pois é, demorou. Uma das primeiras atitudes foi entrar em uma associação com a Pet Fly Productions, de Danny Bilson e Paul De Meo, e fechar a produção da série The Flash para a CBS.
Só que a vida não foi fácil para a série. Um dos grandes problemas é que o canal queria algo no estilo procedural, com ar policial, e só topou levar a série ao ar se os criadores colocassem esses elementos nos roteiros. Por isso os primeiros episódios são menos super-heroicos, mas sim mais sobre Barry Allen sendo um detetive forense que pode sair por aí correndo (e socando bandidos) em alta velocidade. Quando viram quem a audiência não ia muito bem, liberaram The Flash para ser mais próxima das HQs e vilões como o Trapaceiro (vivido por Mark Hamill, o Luke Skywalker!) e o Mestre dos Espelhos deram as caras. Apesar da qualidade, a CBS continuou não tendo o resultado esperado e cancelou a série depois de apenas 22 episódios.
Aquela não foi a única parceria com a dupla Bilson-De Meo. Eles produziram Human Target em 1992, série baseada no personagem conhecido no Brasil como Alvo Humano. Com apenas sete episódios, Human Target não continuou na programação da ABC.
Mas tudo isso era apenas um aperitivo para o que estava por vir. A Warner ainda queria revitalizar sua principal propriedade, o Superman. A ideia era seguir as HQs que eram publicadas na época, com o Homem de Aço recriado por John Byrne – e isso incluía ignorar completamente o Superboy, personagem que estava no ar em uma série concorrente.
Dessa forma, a Warner reassumiu os direitos do Superman que estavam nas mãos da Cannon Films e dos Salkind. Adventures of Superboy (título que tinha na época) foi cancelado em 1992 e abriu espaço para aquela que é até hoje considerada a melhor encarnação live-action do Superman (MAN, não vá falar de Smallville…) até hoje na TV.
Sim, estou falando de Lois & Clark: The New Adentures of Superman, que focava justamente no relacionamento entre Lois e Clark, suas disputas e trabalho no Planeta Diário. As estrelas eram Teri Hatcher e Dean Cain. Como nos gibis daqueles tempos, Clark não era um repórter bobo, mas sim a verdadeira personalidade do protagonista, com o Superman servindo como o disfarce – e não o contrário. Um sujeito chamado Bill entende isso de outra forma…mas isso não vem ao caso agora.
Lois & Clark
A série também ficou famosa por influenciar alguns dos mais importantes acontecimentos do Superman. Lois e Clark já estavam a caminho do casamento quando a produção começou, mas surgiu na Warner a ideia de fazer disso um grande evento, com a cerimônia acontecendo ao mesmo tempo na tevê e nos gibis. Como as coisas estavam adiantadas nos quadrinhos e a série mal estava começando, alguém deu a ideia de matar o Homem de Aço para segurar as pontas nos gibis. Surgiram assim as sagas A Morte do Superman e O Retorno do Superman.
Lois e Clark finalmente casaram (simultaneamente na TV e nas HQs!) em 1996. Em 1997, depois de mudar o programa de horário diversas vezes e a audiência cair drasticamente, a ABC cancelou a série. Como você pode ver, a ABC adora cancelar séries com os heróis da DC. ;)
Ainda em 1997, a WB tocou um outro projeto – esse sem nunca sair do piloto. Justice League of America era pra ter sido uma série baseada na fase cômica da equipe nos quadrinhos, publicada nos anos 80, e teria membros como Gelo, Fogo, Flash, Lanterna Verde (Guy Gardner), Eléktron e Caçador de Marte. Com 82 minutos, o piloto ficou por isso mesmo, sem se tornar série e sem nunca ter sido exibido nos EUA – mas que rolou como um “telefilme” em outros países, incluindo o Brasil, via SBT.
Apesar do fracasso de JLA, Lois & Clark definitivamente abriu os olhos da Warner para a DC na televisão. Assim, surgiu a ideia de fazer uma nova série da Mulher-Maravilha, que não foi para a frente, além de uma produção chamada Bruce Wayne, com foco no jovem Batman. Depois, esse contexto acabou sendo adaptado ao Superman. Em 2001 estreava Smallville, com um jovem Tom Welling interpretado um Clark Kent que não era Superboy, muito menos Superman. O conceito era justamente explorar a adolescência do personagem, descobrindo seus poderes, encontrando os primeiros vilões, os primeiros amores… Quando ele finalmente vestisse a cueca por cima da calça, Smallville acabaria.
Smallville
Smallville estreou em 2001 no The WB, um canal que era da própria da Warner, e foi um sucesso imediato. Ainda assim, a série entrou em diversas polêmicas com mudanças de produtores, saídas do elenco e caminhos escolhidos nos roteiros. Foram, ao total, dez temporadas, fazendo desta a mais longeva série com o Superman e até mesmo com os heróis da DC até hoje. Mesmo com tanto tempo de exibição, Clark Kent assumiu o S, a capa e a cueca apenas no último episódio.
Na mesma época, diversas séries foram planejadas, mas nunca saíram do papel. Entre elas, uma chamada Mercy Reef, com Justin Hartley com um Aquaman ainda jovem. A premissa era a mesma da série do Superman, já que os produtores eram os mesmos – ainda assim, não era um spin-off. Um piloto foi gravado e o espaço na programação 2006-07 da The WB estava reservado. Só que o canal acabou se unindo ao concorrente UPN, criando o The CW. Com mais séries do que horários disponíveis, Mercy Reef ficou sem lugar e foi pro limbo. Anos depois, já em 2013, a mesma ideia de “jovem herói” foi pensada para a Mulher-Maravilha em Amazon, que nunca saiu do papel. Aliás, Diana foi a estrela de outra série, Wonder Woman, que ficou no piloto em 2011.
(Curiosidade: depois do cancelamento de Mercy Reef, Hartley foi para o elenco de Smallville, no qual assumiu o papel de Arqueiro Verde. A mesma série do Aquaman tinha Adrianne Palicki, que deu vida depois para Diana Prince em Wonder Woman – e, agora, será a heroína Harpia em Agents of S.H.I.E.L.D., da concorrente Marvel Studios)
A que saiu do papel, mesmo, foi Birds of Prey (centrada em heroínas do universo do Batman, como a Caçadora e a Oráculo), mas a série foi cancelada depois de apenas 13 episódios. De qualquer forma, essa representou a primeira vez na história que a Warner manteve ao mesmo tempo duas séries baseadas em personagens da DC. Sim, eram a própria Birds of Prey e Smallville.
http://www.youtube.com/watch?v=PzJT9zqVZtY
Em 2010, a Fox estreou na programação uma segunda encarnação de Human Target. Foram duas temporadas, apenas.

Mudando o jogo

A partir dos anos 2000, os quadrinhos passaram a ter a atenção do cinema, traduzindo filmes em muito, mas muito dinheiro. Em meados desta década, a Casa das Ideias começou a produzir diversos filmes baseados em personagens da editora por meio da Marvel Studios – e o sucesso foi tanto que a empresa acabou sendo comprada pela Disney. Já a Warner investiu com sucesso em longas do Batman dirigidos por Chris Nolan. Até o Homem de Aço voltou aos cinemas com Superman – O Retorno.
Ao mesmo tempo, o negócio “quadrinhos” não ia lá tão bem na Warner. As vendas eram normalmente piores que as da Marvel e a DC Comics pagava as contas não apenas com vendas e publicidade, mas também com licenciamento e produções em outras mídias com os personagens da casa.
Nesse contexto novo, a Time Warner formou, em 2009, a DC Entertainment, empresa que passou a ter sob sua responsabilidade todos os interesses da DC Comics – que se tornou uma subsidiária da primeira. O objetivo da DC Entertainment era (e ainda é) capitalizar o máximo possível com o verdadeiro ~repositório de ideias que é a DC, criando conteúdos nas mais diversas mídias existentes. Além disso, a editora precisaria dar retorno financeiro por si mesma, com suas próprias publicações.
Para a nova fase, Diane Nelson foi contratada para ser presidente da DC E. A escolha foi emblemática: Diane foi a responsável por transformar Harry Potter em muito dinheiro para Warner.
O resultado? Bom, nos gibis a DC empreendeu um grande reboot da cronologia, numa fase que aumentou bastante as vendas e ficou conhecida como Os Novos 52. Na TV, a Warner Bros. Television e a DC Entertainment se uniram com alguns dos responsáveis pelo malsucedido filme do Lanterna Verde (no caso, Greg Berlanti e Marc Guggenheim) e com Andrew Kreisberg para criar Arrow, série de TV para o CW baseada no herói Arqueiro Verde.
Arrow
A série alcançou rapidamente os objetivos de audiência do CW, acertando a mão com o público numa forma que mostra a lenta criação de um herói a partir de um homem em busca de vingança. A diferença para Smallville, por exemplo, é que Oliver Queen não tem um totem, um rito de passagem, que no caso do Azulão era a cueca e capa. É, de certa forma, uma luta diária de Oliver Queen para fazer o que é certo, aprendendo enquanto age com o rosto coberto. Outro detalhe importante é que Arrow pegou essa atmosfera de “pés no chão” dos últimos filmes do Batman, tentando fazer do universo do Arqueiro e dos vilões que surgem algo mais factível ao público.
O resultado é meio óbvio. Arrow já está entrando em sua terceira temporada, além de ter gerado o primeiro spin-off: The Flash, baseado no Corredor Escarlate dos quadrinhos – que, apesar de ser no mesmo universo, vai ser mais leve e com personagens com superpoderes, começando pelo próprio protagonista.

Não ficou por aí. Um acordo com o canal Fox deu origem a Gotham, essa mesmo que estreia hoje, e que resgata alguns dos conceitos de Bruce Wayne, aquela série que não rolou no final dos anos 90. Basicamente, a produção é sobre um uma Gotham na qual vive um jovem herdeiro da família Wayne, que acabou de perder os pais, e tem Jim Gordon como um policial novato que tenta manter de pé suas convicções.
Gotham
Também teremos Constantine, aquela que é vista por muitos – inclusive por nós do JUDÃO – como a mais fraca dessa leva. O que é uma pena, lembrando a qualidade do material original do personagem. AH! Em 2015 ainda estreia iZombie, baseada no título do mesmo nome do selo Vertigo. Ainda pra 2015 é prometida Preacher, outra HQ do selo Vertigo que irá rolar no canal pago AMC, o mesmo que tem hoje The Walking Dead.
Se nenhuma série for cancelada antes do midseason, os personagens da DC estarão em nada menos que seis séries diferentes em 2015. SEIS. E esse número vai aumentar: apesar de ainda não ser oficial, Supergirl deve atracar na CBS no próximo ano. DMZ, Scalped (ambos vindos também da Vertigo), Titans (baseada nos Novos Titãs) e Lucifer podem estar vindo por aí.
Pois é. De relegada a projetos espaçados e sem tanta atenção, a DC se tornou a grande queridinha da Warner e está finalmente sendo explorada como o depósito de ótimas ideias que verdadeiramente é. Pena que, como já deixou claro Geoff Johns, CCO da DC Entertainment, dificilmente veremos tudo isso se cruzando em crossover ou dividindo o mesmo universo que o dos cinemas. :/

Via JUDÃO

 

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