quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Maria Magazine e Café Espacial em Angoulême

Por Henrique Magalhães - Marca de Fantasia
Philipe Morin, um dos editores do prestigiado fanzine francês PLG, já havia reconhecido a intensa produção brasileira de publicações independentes, em particular os fanzines de História em Quadrinhos, que pulularam no país nas décadas de 1980 e 1990. Com o advento da internet o cenário mudaria não só no Brasil, mas em todo o mundo, contudo os fanzines continuam mostrando sua cara de rebeldia e experimentalismo nas artes.
O Festival Internacional de la Bande Dessinée d’Angoulême, na França, atribui anualmente o “Prix de la BD Alternative”, que é uma premiação exclusiva à edição independente, seja revista ou fanzine de História em Quadrinhos, contribuindo para o fomento desse tipo de publicação. Por vários anos tivemos o prestígio de participar do certame com o fanzine Top! Top!, editado pela Marca de Fantasia, e mais recentemente contamos com a presença de outra publicação brasileira, a revista Café Espacial, editada por Sérgio Chaves e Lídia Basoli.
Para a 41a edição do Festival de Angoulême conta-se na seleção oficial com a revista Maria Magazine n. 4, da Marca de Fantasia e Café Espacialn. 12, ocupando um espaço que honra a produção brasileira. Maria Magazine é uma publicação humorística o trabalho do editor e de autores convidados. Nessa edição apresenta tiras com a personagem Maria, de H. Magalhães, além de Zé Meiota, de Tônio, e Cotidiano Alterado, de Edgard Guimarães. Já a Café Espacial traz um mix de várias expressões artísticas, como quadrinhos, literatura, cinema e fotografia.
Constata-se, ao analisar o histórico da premiação da categoria, a marcante predominância de fanzines de língua francesa, seja da própria França, seja da Bélgica e Suiça, o que é natural, já que o júri de especialistas que atribui a comenda é daquele país. Contudo, essa característica, que seria um empecilho para o Brasil por causa da língua portuguesa, não é de todo determinante, já que também foram premiados fanzines de origem diversa, a exemplo de Alemanha, Eslovênia, Itália, Grã-Bretanha, Finlândia, Letônia e China.
Participam do Festival de Angoulême alguns dos melhores fanzines do mundo, publicações que gozam de prestígio em seus países e que demonstram o empenho em promover os quadrinhos como reflexão e expressão artística e cultural. Independentemente da premiação, estar em Angoulême representa o reconhecimento do fandom brasileiro e nossa capacidade inventiva.
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