
Ok, parece muita viagem, eu sei. Mas o meteoro realmente caiu e o Superman defendendo os antigos domínios da União Soviética não é algo novo – até porque a velha URSS já se foi há mais de duas décadas… #Tudumpsh
Entre a Foice e o Martelo
Em 2003 o roteirista Mark Millar resolveu publicar, pela DC, uma visão muito particular do Superman. Afinal, o Homem de Aço é o que é porque foi criado na mente de dois jovens que viviam nos EUA em pleno 1938, quando o País precisava de uma figura nacionalista para enfrentar o final da Grande Depressão – e pra encarar a Guerra Mundial que viria a seguir. Por isso o Azulão defende “a verdade, a justiça e o modo americano”, além de usar azul e vermelho no uniforme.O que Millar fez foi pensar o “outro lado dessa história”. E se tivesse sido diferente? E se o Superman tivesse sido criado na Rússia? E se o bebê Kal-El tivesse caído na então União Soviética? Quais cores ele usaria? Qual seria seu mote? O que ele defenderia?
Nascia assim o herói do proletariado.
Superman – Red Son foi publicado originalmente em 2003 como uma minissérie em três partes. Escrita por Millar, com lápis de Dave Johnson e Kilian Plunkett e arte-final de Andrew Robinson e Walden Wong, a HQ ganhou um prêmio Eisner em 2004. Por aqui, a história recebeu o nome de Superman – Entre a Foice e o Martelo.

Quem era este herói do povo?
Na HQ ficamos sabendo que, nessa realidade alternativa, a URSS revelou o Superman deles para o mundo na década de 1950, bem no meio da Guerra Fria, o que deixou os estadunidenses em pânico. Assim, Jim Olsen, agente da CIA, recrutou o cientista Lex Luthor para destruir o herói inimigo. Manipulando o Superman, Luthor roubou material genético do soviético e criou um clone chamado Bizarro.Eventualmente, problemas internos na União Soviética fizeram com que Joseph Stalin fosse morto. Inicialmente a contra gosto, Kal-El aceitou a missão de chefiar o Partido Comunista, se tornando o manda-chuva da URSS e transformando o país em uma utopia.
Quando o Bizarro finalmente vai atacar o Supinho, algo dá errado e o clone sacrifica a própria vida pra salvar a Grã-Bretanha de um míssil nuclear. Luthor, que deveria se dar mal pelas besteiras que fez, se safa matando todos da S.T.A.R. Labs (onde trabalhava) e funda a LuthorCorp, jurando um dia se vingar do Vermelhão.
Sob o comando do Superman, a União Soviética se transforma em um paraíso, ampliando a influência que tinha por quase todo o globo — no entanto, o herói acaba se tornando um tirano.

Sem sucesso, Luthor acabou se elegendo presidente dos Estados Unidos e, com seu intelecto, devolve o país aos tempos de prosperidade. Porém, isso é só a parte de um plano maior. O presidente queria ver o inimigo invadindo os EUA, atraindo-o para o plano final.
O que Luthor teria na manga? Simples: o projetor da zona fantasma, uma bateria energética e a Tropa dos Lanternas Verdes!
Lois Luthor, primeira-dama dos EUA, forjou uma aliança com as Amazonas, agora comandadas por uma traída Mulher-Maravilha. Quando a União Soviética e o Superman atacam a Costa Leste dos EUA, o país é defendido por elas e por uma amalgama da Tropa dos Lanternas Verdes com a Marinha dos Estados Unidos.
O confronto final leva a Mulher-Maravilha, Superman, Lex Luthor e Brainiac até a Casa Branca. O robô alienígena, manipulado pelos dois lados, acaba se destruindo, mas deixa a própria nave na órbita da Terra prestes a explodir. Em um ato heroico, Superman salva o planeta — mas morre no processo.
Sem o líder e tirano, a sociedade sem crimes da URSS entra em caos. No entanto a ordem é reestabelecida por um grupo chamado Batmen, formado por pessoas que usam um uniforme parecido com o do falecido Batman. Vendo as necessidades do mundo, Lex Luthor incorpora muitas ideias do lado derrotado e cria o Luthorismo, estendendo o controle dos EUA por toda a Terra. A partir daí o mundo vive uma era de paz e de governo benevolente, com Luthor, por meio de seu intelecto, curando várias doenças e colonizando o Sistema Solar. O presidente acaba vivendo por quase 200 anos.
No enterro de Lex Luthor finalmente descobrimos a verdade. Superman não morreu. Ele ainda está vivo, sendo quase imortal. De longe, usando os óculos característicos de Clark Kent (identidade que ele não usa neste universo), acompanha o sepultamento de seu maior inimigo…

Para quem quiser ler
Vai ver que Nostradamus — e os maias — estavam certos.
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